Você consegue se recordar das principais conquistas do Brasil no cenário esportivo internacional? Quais atletas brasileiros lhe vêm à memória quando se fala em Copa do Mundo de Futebol, Olimpíadas ou Competições Mundiais?
Pensando sobre estas questões me lembro de imediato das conquistas do futebol brasileiro nas cinco copas do mundo que conseguimos levantar, lembro-me também de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Hoje somos conhecidos também como país do voleibol graças às conquistas que nossos rapazes e nossas garotas conseguiram nesta modalidade, seja em quadra ou na areia. Temos os Gustavos, é claro, o Borges e o Kuerten, mas também temos Maria Lenk, Ricardo Prado, Cesar Cielo, entre outros nas piscinas e Maria Esther Bueno, Jaime Oncins e Fernando Meligeni nas quadras. Assim como temos grandes nomes no basquetebol, atletismo, ginástica artística, judô, etc. e... até mesmo no boxe, o Sr. Adilson Rodrigues Maguila.
Fazer um exercício de memória deste tipo é, certamente, correr um risco de esquecer o nome de alguém ou esquecer alguma conquista importante, afinal temos sim muito do que nos orgulhar com relação aos esportes de competição. Entretanto, temos que considerar o que nos aguarda para o futuro, refletir sobre acontecimentos do passado poderá ser muito útil agora que teremos uma Copa do Mundo de Futebol e uma Olimpíada em nosso próprio solo nos próximos seis anos.
O que eu realmente quero ver acontecer é que estes eventos sirvam de força propulsora para um movimento de formação de atletas e de esportistas em nosso país.
Seis anos é tempo suficiente para formar um atleta e consagrá-lo em uma competição internacional de alto nível? Sim, dirão alguns, e não, dirão outros, mas a meu ver, esta nem é a questão, porque estas não serão as últimas Copas do Mundo ou Olimpíadas, este não é um ciclo que vai se encerrar em seis anos. O que eu realmente quero ver acontecer é que estes eventos sirvam de força propulsora para um movimento de formação de atletas e de esportistas em nosso país.
Como assim? Então existe diferença entre atleta e esportista? Sim. Existe. Atleta é o profissional dos esportes, aquele que treina para competir e que faz desta atividade seu meio de conseguir remuneração e esportista é a pessoa que cultiva a prática esportiva como estilo de vida, normalmente utilizando seu tempo de lazer para exercer está atividade.
Recentemente em uma entrevista a um importante programa esportivo, o ex-treinador da seleção brasileira de futebol, Carlos Alberto Parreira, afirmou que o Brasil não possui um Programa Olímpico, querendo com isto dizer que os atletas brasileiros que vão para uma olimpíada são realmente heróis da resistência. Vejam o caso recente do Cesar Cielo, toda sua preparação foi feita nos Estados Unidos com suporte financeiro garantido em grande parte por sua própria família.
O que, então, 2014 e 2016 podem proporcionar de melhor para nossos atletas e para nossa nação em geral, ou seja, nossos esportistas? Focando apenas nas questões esportivas, deixando as questões comerciais, questões de relações internacionais ou aquelas relacionadas ao turismo por conta dos profissionais destas áreas, acredito que dois programas devam ser colocados em execução a nível nacional, o primeiro para detecção de talentos esportivos e o segundo um programa de incentivo da prática regular de exercícios físicos para a população.
Certamente que muitos esforços já estão sendo feitos neste sentido, mas não vejo momento mais oportuno do que este para integrar e aprimorar as iniciativas já em andamento.
Esta ação proporcionaria a criação de uma base de dados nacional para que se possa comparar o desempenho dos alunos classificando-os por sexo e faixa etária.
Se as conquistas que obtivemos nos esportes devem ser motivo de orgulho, os avanços que conseguimos nas diferentes áreas de conhecimento relacionadas às ciências do esporte também devem ser respeitadas. Temos hoje no Brasil importantes produções com cunho científico realizadas por profissionais altamente capacitados e que serão de grande valia. Se isto for observado, a detecção de talentos esportivos e o estimulo quanto à promoção de exercícios físicos para a população poderá ser realizada de forma metodizada afastando as incertezas do empirismo.
Algumas ações podem ser adotadas nos clubes e nas escolas, como incentivar que professores façam rotineiramente avaliações antropométricas e a aplicação de testes neuromotores em seus alunos, obviamente que tais testes devem ser previamente padronizados. Esta ação proporcionaria a criação de uma base de dados nacional para que se possa comparar o desempenho dos alunos classificando-os por sexo e faixa etária.
Não somente os alunos com desempenho acima da média poderiam ser direcionados para o treinamento em alguma modalidade esportiva como também teríamos dados para estimar a condição da aptidão física relacionada à saúde de nossos jovens, direcionando o programa de educação física escolar ou as aulas dadas em clubes e academias para atender as necessidades daqueles que se encontrarem abaixo dos níveis populacionais esperados.
Bem, algumas coisas somente o tempo é capaz de revelar. Esperemos que daqui a seis anos possamos avaliar que estes mega eventos esportivos que estão por vir realmente nos deixem bons legados, tanto nas questões econômicas e de infra-estrutura quanto em segurança e saúde pública. Este pode ser o tempo para que a própria classe dos profissionais de educação física se organize para tomar iniciativas que se julguem válidas independentemente das ações governamentais. Por fim, espero que nos orgulhemos do trabalho realizado ao fim da Copa do Mundo e da Olimpíada, assim como nos orgulhamos das estrelas esportivas que já tivemos e das que ainda teremos.


